Escola Estadual Doutor Álvaro Guião

Escola Estadual Doutor Álvaro Guião
Vista da escadaria da antiga entrada principal.
Informação
Localização São Carlos
Tipo de instituição Ensino Fundamental, Ensino Médio
Abertura 4 de fevereiro de 1911 (Prédio anterior)
18 de novembro de 1916 (prédio atual)
Diretor(a) Rita de Cassia Baffa Gonçalves
Número de estudantes 1.800 alunos e 55 docentes

A Escola Estadual Doutor Álvaro Guião foi fundada com o nome de Escola Normal Secundária de São Carlos em 1911. Ela está situada na cidade de São Carlos, interior de São Paulo e foi reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de São Paulo no ano de 1985.

História

A escola foi fundada pelo Decreto de Lei n° 1998 de 4 de fevereiro de 1911 com o nome de Escola Normal Secundária de São Carlos, instalada no prédio da então Escola Complementar Conde do Pinhal, que atualmente é a Escola Estadual de Primeiro Grau Eugênio Franco, na Rua José Botelho, e oferecia o curso de formação de professores, com duração de 4 anos.[1]

O prédio foi projetado pelo arquiteto alemão Carlos Rosencrantz e construído pelo engenheiro Raul Porto e pelo mestre de obras Torello Dinucci. Com pisos de cerâmica francesa, lustres de cristal de Baccarat, mármore italiano e mobiliário inglês e austríaco, o edifício esbanjou a riqueza de detalhes dos estilos art-nouveau e neoclássico. Um lugar repleto de simbologia onde germinou a vocação de São Carlos para a ciência e o conhecimento.[2]

O doutor João Chrysostomo Bueno dos Reis Junior, advogado formado pela Faculdade de Direito de São Paulo, foi o primeiro diretor da escola, além disso, o quadro inicial foi composto pelos seguintes docentes:[3]

  • João Augusto de Pereira Junior, Bacharel em Direito - Lente de Português, Latim e História da Língua;
  • Juvenal de Azevedo Penteado, professor e pensador - Lente de Francês e Inglês;
  • João Lourenço Rodrigues, professor - Lente de Aritmética e Álgebra;
  • Rafael Falco, artista conhecido nacionalmente na época - Professor de Caligrafia e Desenho;
  • Lucila Pompeo de Camargo - professora de Trabalhos Manuais (Seção Feminina);
  • Jorge Barbato - professor de Trabalhos Manuais (Seção Masculina).

No período de 13 a 25 de fevereiro, as inscrições para os exames de suficiência foram abertas, cento e quarenta e quatro candidatos foram inscritos, dos quais sessenta e dois foram aprovados. As matrículas foram realizadas entre 20 e 21 de março e as aulas tiveram início no dia 22, data que hoje é comemorada como aniversário da escola.[3][4]

Em 18 de setembro de 1913, devido à necessidade de um espaço maior e mais adequado para a escola, que se encontrava em instalações precárias, lançaram solenemente a pedra fundamental do edifício que é, ainda hoje, o endereço da Escola Secundária localizada na Rua Carlos Botelho, morada da antiga Capela de São Sebastião (pertencente á Mitra Diocesana).[4][5] O projeto e a construção ficaram a cargo do engenheiro doutor Raul Porto e do mestre de obras Torello Dinucci, e teve sua inauguração em 18 de novembro de 1916.[3][4][6]

Em 21 de abril de 1933, pelo Decreto n° 5884, a escola passou a integrar curso fundamental e profissionalizante, posteriormente curso ginasial. Em 19 de dezembro de 1939, pelo Decreto n° 10.811, foi renomeado para Doutor Álvaro Guião,[6] em homenagem ao então secretário da educação, falecido num acidente aéreo em Ponte Nova no mesmo mês.[3][4]

Em 12 de abril de 1942, pelo Decreto n° 4224 e com base na reforma do ensino secundário, passou a contar com dois ciclos de ensino: Curso Ginasial com duração de 4 anos; e Curso Ginasial com duração de 3 anos subdividido em Científico e Clássico. Em 7 de março de 1944, pelo Decreto Federal n° 14960, passou a se chamar Colégio Estadual e Escola Normal Dr. Álvaro Guião.[4]

A partir de 1949 passou a oferecer os Cursos colegial e ginasial no período noturno, e posteriormente, em 1952, o curso normal. Em 1952, graças ao Projeto de Lei n° 168, passou a oferecer também cursos de pós-graduação. No ano seguinte, passou a ser denominada Instituto de Educação pela Lei n° 2221.[3][4]

Em 1976, a partir da Lei n° 5692 de 11 de agosto de 1971, que transformou o curso normal em uma habilitação profissional, o instituto passou a ser Escola Estadual de Segundo Grau Doutor Álvaro Guião, oferecendo cursos de segundo grau e magistério.[4]

Em 2012, a escola foi votada como uma das sete maravilhas de São Carlos em um concurso online realizado pela prefeitura do município. A escola foi a terceira mais votada, com 11 mil votos.[7]

Arquitetura

Vista parcial do pátio interno da escola

Projetada pelo arquiteto Carlos Rosencrantz, com grande influência de art nouveau, "destacando-se os volumes curvos do centro e das extremidades da fachada principal",[8], o edifício atual da Escola Álvaro Guião, inaugurado em 1916, teve um rico acabamento, como, por exemplo, madeiramento em pinho de riga e madeiras nobres nacionais, pisos do saguão e das galerias em cerâmica francesa, lustres de cristal de Baccarat, balaustrada e pilares do anfiteatro em ferro estrangeiro, e mobílias das salas de origem inglesa e austríaca.[5]

O prédio foi projetado em dois pavimentos:

  • Térreo, com acesso por uma escadaria de granito de 6 metros de largura, contando com o hall, diretoria, secretaria, biblioteca, anfiteatro e salas de aula repartidas em alas feminina e masculina;
  • Porão, contendo laboratórios, salas especiais para educação física, trabalhos manuais e pintura.

Após inúmeras reformas, o prédio foi tombado como patrimônio histórico e cultural do Estado de São Paulo pelo Decreto publicado em 7 de Novembro de 1985 no Diário Oficial.[3][4][6][9]

Curiosidades

  • Em 2017 o aluno Vitor Aguiar de Jesus participou do Concurso Educação nas Redes, organizado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo em parceria com o Google for Education. Com a página do Facebook "Guião Memes" o aluno foi o vencedor com mais de 50% dos votos na categoria Vida Escolar e Grêmio Estudantil.[10][11]

Ver também

Referências

  1. http://www.histedbr.fe.unicamp.br/revista/revis/revis19/art03_19.pdf
  2. http://www.revistakappa.com.br/edicoes/saocarlos/edicao_132/files/revista%20kappa.pdf
  3. a b c d e f Pirolla 1988, p. 97.
  4. a b c d e f g h «Escola Estadual Álvaro Guião completa 100 anos nesta terça-feira (22)». Website oficial de São Carlos. 22 de março de 2011. Consultado em 20 de julho de 2017. Cópia arquivada em 20 de julho de 2017 
  5. a b NOSELLA, Paulo; BUFFA, Ester. Schola Matter:a antiga Escola Normal de São Carlos. São Carlos: EDUFSCar. 1996.
  6. a b c «Alunos enterram 'cápsula do tempo' em escola centenária de São Carlos». G1. 2 de dezembro de 2012. Consultado em 20 de julho de 2017. Cópia arquivada em 20 de julho de 2017 
  7. «'As sete maravilhas de São Carlos' são eleitas com 124 mil votos». G1. 22 de junho de 2012. Consultado em 20 de julho de 2017. Cópia arquivada em 20 de julho de 2017 
  8. Corrêa, Maria Elisabeth Feirão; Neves, Helia Maria Vendramini; de Mello, Mirela Geiger. Arquitetura Escolar Paulista: 1890-1920. São Paulo: FDE. Diretoria De Obras e Serviços. 1991. P. 133-135
  9. «Escola Álvaro Guião em São Carlos, SP, mostra sua história em exposição». G1. 24 de fevereiro de 2012. Consultado em 20 de julho de 2017. Cópia arquivada em 20 de julho de 2017 
  10. «Professor e dois alunos de São Carlos vencem premiação do Google para influenciadores digitais nas escolas». G1 
  11. «Aluno do Álvaro Guião vence concurso do Google». www.saocarlosagora.com.br. Consultado em 22 de agosto de 2018 

Bibliografia

  • Pirolla, Maria Christina Girão (2016). Memórias do Instituto: 1911-1976. [S.l.]: EDUFSCAR. ISBN 9788576004523 
  • Portal da educação
  • Portal de São Paulo